Nomenclatura de ações: O que é o número no final do código?

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Vários nomes de ações
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Procurando por ações de empresas com os nomes como Vale, Ambev, Petrobrás ou Banco Inter você muito provavelmente se deparou com os códigos VALE3, ABEV3, PETR4 ou BIDI4.

Pois bem, esses códigos ou tickers correspondem ao nome com que as ações são comercializadas na bolsa de volares.

Antes de mais nada, vale dizer que a criação de um código para padronizar o nome das ações é justamente para facilitar o processo de comercialização desses valores mobiliários.

Os códigos são formados por meio 4 letras maiúsculas, que normalmente identificam o nome da própria empresa, e por um número no final.

Dessa forma, quando você vê o nome MGLU3 ou ITUB4 já é possível identificar que são ações da Magazine Luíza e ações do Itaú Unibanco, respectivamente.

Entretanto, e o número no final, o que ele significa?

No caso das ações, o número final vai indicar o seu tipo, como veremos a seguir. No entanto, alguns outros valores mobiliários também seguem esse tipo de nomenclatura, como os ETFs e os Fundos Imobiliários. Por isso, nesse artigo falaremos sobre esse outros também, além das ações.

AÇÕES

Final 3 – Ações Ordinárias.

O número 3 na nomenclatura de uma ação indica que ela é Ordinária (ON) e sua principal característica é dar ao acionista o direito de voto nas assembleias da empresa.

Porém, para do pequeno investidor, esse poder de voto pode ser bastante limitado. Isso porque o peso do voto está diretamente ligado à quantidade de ações que um acionista possui.

Por exemplo, se um investidor tiver um lote de 100 ações dentro de um total de 5.284.470.000 de ações de determinada empresa, como é o caso da VALE… Seu voto representará menos do que 0,000002% desse total.

Exemplos de ações ON são: VALE3, PETR3, ELET3, ITUB3

Final 4 – Ações Preferenciais

O número 4 na nomenclatura de uma ação indica que ela é Preferencial (PN) e sua principal característica é NÃO dar ao acionista direito a voto. No entanto, quem a detém tem a preferência no recebimento dos lucros de uma companhia quando comparada às ações ordinárias. Ou seja, quem tem ações PN costuma receber uma parcela maior de dividendos.

Talvez você até tenha ouvido falar que ações preferenciais recebem 10% a mais de dividendos. De fato essa costuma ser a prática de várias empresas. No entanto, a prioridade no pagamento de dividendos é definida de acordo com estatuto de cada companhia.

Logo, esse recebimento varia entre elas: algumas pagam 10% a mais de dividendos para as PN, outras pagam 2 ou 5 centavos a mais, e outras nem fazem essa diferenciação.

Exemplos de ações PN são: PETR4, BIDI4, ITUB4, CMIG4

Final 5, 6, 7 e 8 – Ações preferenciais de classes diferentes

Os códigos com final 5,6,7 e 8 indicam que as ações são também preferenciais. Entretanto, elas pertencem a classes diferentes, como por exemplo classe A (PN A), classe B (PN B).

Assim como as regras de prioridade sobre as ações PN, as características de cada classe com os códigos 5, 6, 7 e 8 são definidas no estatuto da companhia.

Logo, como cada empresa estipula as classes dessas ações e quais são os “benefícios” que cada uma dará ao acionista, não é possível fazer uma definição geral de quais são eles.

Exemplos de ações PN de outras classes são: USIM5, ELET6, BRKM5

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Direitos de subscrição – Final 1 e 2

Quando uma empresa que já possui ações distribuídas na bolsa e decide lançar novas ações no mercado primário, ela as oferece primeiro aos seus acionistas antes de vendê-las diretamente no mercado.

Ao oferecer primeiro aos acionistas, a companhia lhes dá o “Direito de Subscrição”, que na prática é como se fosse uma ação. Elas vão aparecer no seu home broker com as mesmas letras da ação da companhia, mas com o número diferente:

Um exemplo: Quando a Gafisa (GFSA3) fez o lançamento de novas ações no mercado, seus acionistas receberam “ações” GFSA1. Esse código é o direito de subscrição. Ou seja, cada GFSA1 dava o direito de adquirir diretamente da companhia uma ação com um valor já pré-determinado, que geralmente é mais baixo do que o valor que está sendo praticado no mercado secundário.

Todavia, há a hipótese de o investidor não querer exercer o direito de subscrição. Nesse caso, ele pode simplesmente não comprar as ações diretamente da empresa. Ou, quando possível, revender esse direito de subscrição.

Ali em cima comentei do direito de subscrição GFSA1 que partiu de uma ação ON, a GFSA3. Mas quando o direito de subscrição é de uma ação PN, como uma ITUB4, os direitos de subscrição terão final 2: ficando ITUB2.

Importante entender: direitos de subscrição são uma oferta de ações temporária que a companhia faz quando ela quiser e tem data de início e fim. Isso quer dizer que não é toda ação que tem um direito de subscrição atrelado a ela. E também não é todo dia que você vai achar uma GFSA1 sendo comercializada por aí.

Final 11 – Um número, várias possibilidades

É no final 11 que a coisa complica um pouco. Porque ele pode indicar 3 valores mobiliários diferentes: Units, ETFs ou Fundos Imobiliários (FIIs). Vamos ver abaixo cada um dos casos:

Units

As Units são uma espécie de “pacotes de ações” que são negociadas como se fossem uma ação única. Nesses casos, é a própria empresa que decide qual vai ser a composição desse pacote. Quantas ações ON e quantas ações PN vão integrar uma Unit.

Na tabela abaixo você pode ver qual a composição das principais Units negociadas na Bolsa de Valores brasileira.

Nem todas a empresas negociam suas ações em formato de Units. Ou seja, você também não vei ver por aí toda e qualquer ação com final 11.

ETFs

O código final 11 também nomeia os ETFs (Exchange Traded Funds). Que, em síntese, são fundos de ações que espelham a carteira teórica de índices. Em outras palavras, esses fundos replicam índices do mercado financeiro. Como, por exemplo, o Fundo de Índice do Ibovespa (BOVA11) que, como o próprio nome já diz, replica o Ibovespa.

Fundos Imobiliários

E, para finalizar, a nomenclatura com final 11 também pode indicar que se trata, na verdade, de um Fundo Imobiliário – FII. Nesse caso, ao invés de comprar a participação em uma empresa, você estará comprando participação em um empreendimento imobiliário.

Alguns exemplos de FIIs são: SAAG11, VISC11, BCFF11.

Na verdade, a quantidade de FIIs comercializados na bolsa é bem maior que a quantidade de Units ou de ETFs. Então, quando você se deparar com uma “ação” com final 11, verifique antes do que realmente se trata antes de decidir comprá-la.

Mercado à Vista e Mercado fracionário

Ambos comercializam valores mobiliários à vista. Entretanto, no mercado à vista as ações são negociadas em lote de 100 ações, enquanto que no fracionário elas são negociadas de maneira unitária até 99 ações. Então, se você não tiver dinheiro para comprar um lote inteiro de 100 ações, você poderá comprar menos no mercado fracionário.

Dessa forma, a nomenclatura das ações no mercado fracionado é semelhante ao mercado à vista, mas com o complemento da letra F no final do nome da ação.

O acréscimo da letra F no código é justamente para indicar que essa ação está sendo negociada nesse mercado e sem a obrigatoriedade de comprar um lote inteiro de 100 ações.

Por Exemplo: PETR3F, PETR4F, VALE3F, BIDI4F, TAEE11F

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