O discurso tóxico de que “rende mais que a poupança”

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– Isa, vendi meu carro e ia usar a grana pra investir na empresa… Mas agora com essa pandemia, vou esperar. Me fala um lugar bom pra eu investir e esse dinheiro render? Não queria deixar na poupança…

Esse, meus amigos, é só mais um exemplo do início de algumas conversas que já tive, e que ainda terei, ao longo dessa vida de “entendedora de investimentos”

Muitas coisas nessa vida me fazem revirar os olhos… E esse discurso iniciado pelas corretoras de que poupança “nem é investimento” com certeza fica no top 10 das paradas. Porque o que muita gente acaba entendendo por essas entrelinhas é que investimento se resume a rentabilidade.

O que precisa ficar claro é que rentabilidade é só um dos vários aspectos de um investimento.

Antes de sair buscando altos rendimentos, tem que entender o objetivo (o que você pretende fazer com esse dinheiro?), o horizonte de tempo (quando é que você pretende usar esse dinheiro?), o seu nível de conhecimento (se você não entendeu 1 palavra do folder do investimento proposto, caia fora!)

E… além disso tudo aí, tem que entender (e pra entender, tem que viver) como é sua resposta emocional diante de algumas situações de oscilação no patrimônio. Principalmente se você quiser investir em renda variável.

Mas, antes que eu me perca em divagações, vamos utilizar o exemplo desse amigo que vendeu o carro e ver, na prática, quão absurdamente ruim seria a poupança nesse caso.

Entendendo investimentos na prática

Primeiro, vamos às perguntas que devem ser respondidas:

Objetivo (pra quê o dinheiro): investir na infraestrutura da empresa dele

Horizonte de tempo (pra quando): logo após a pandemia. Nesse caso, vamos adotar 18 meses, que é o tempo que andam dizendo que levaria pra desenvolver e distribuir uma vacina contra Covid-19, no cenário otimista da coisa

Nível de conhecimento: só sei que a Xconta rende mais que a poupança

Resposta emocional diante de oscilações de mercado: nem ideia, porque ainda não vivi nada do tipo

Aqui, neste caso específico, mais importante que rentabilidade, é o horizonte de tempo: ele vai precisar do dinheiro muito em breve (sim, amigos, menos que 3 anos é muito em breve). Então, o mais aconselhável é manter o dinheiro em um investimento seguro e com boa liquidez, ou seja, que possa ser resgatado após 12 ou 18 meses.

 

Opção 1 de investimento: Poupança

Rentabilidade: 70% da SELIC – (hoje, 20/06/2020, ela rende cerca de  0,13% am)

Liquidez: diária (você pode resgatar, sacar, o dinheiro a qualquer momento)
Imposto de renda: isento

Dinheiro inicial: R$50.000,00
Dinheiro após 18 meses rendendo: R$51.138,02

Imposto devido: zero

Resultado final do dinheiro rendendo na poupança: R$51.183,02

 

Opção 2 de investimento: Tesouro Direto – SELIC

Rentabilidade: SELIC + 0,02% – (hoje, 19/06/2020, ele rende cerca de 0,21% am)
Liquidez: diária em dias úteis (solicitando o resgate antes das 17h, ele estará disponível no mesmo dia na sua conta)

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Imposto de renda: 17,5% depois de 365 e menos do que 720 dias rendendo por lá

Dinheiro inicial: R$50.000,00

Dinheiro após 18 meses rendendo: R$51.924,12

Imposto devido: R$336,72

Resultado final do dinheiro rendendo no Tesouro Selic: R$51.587,40

 

Opção 3 de investimento: Título de Renda Fixa – CDB pós fixado

Rentabilidade: 125% do CDI – (hoje, 20/06/2020, ele rende cerca de 0,23% am)
Liquidez: No vencimento. Ou seja, só pode ser sacado quando vencer. Neste exemplo, após 18 meses.
Imposto de renda: 17,5%

Dinheiro inicial: R$50.000,00
Dinheiro após 18 meses rendendo: R$52.110,97

Imposto devido: R$369,42

Resultado final do dinheiro rendendo neste CDB específico: R$51.741,55

 

Resumo da ópera:

No CDB, que dentre as três opções é o que rende mais, ele teria no final R$558,53 a mais do que se tivesse investido na poupança nesses 18 meses. Agora, me diga: essa diferença, pra você, compensa as noites de aflição e o sentimento de auto incompetência por só saber guardar o dinheiro na poupança?

Mas atenção! Essa diferença só é pequena porque, neste caso, o horizonte de tempo é pouco e aí não dá pra nos beneficiarmos das maravilhas dos juros compostos.

A título de curiosidade… mantendo as mesmas taxas de rentabilidade e montante inicial, porém esticando o prazo para 20 anos (240 meses de dinheiro rendendo), a diferença entre os montantes finais seria de R$12.970,06. Na poupança teríamos R$68.293,90 e no CDB – já descontados os impostos – teríamos R$81.263,96.

Portanto, é…  a poupança não é o melhor dos mundos. Mas por favor entenda: Rentabilidade é algo importantíssimo no investimento, mas não é tudo! Antes de procurar por aquilo que “rende mais”, procure por aquilo “que me serve melhor neste contexto”


Olá, caro leitor!

Você chegou ao final de mais um texto da “coluna da Isabela”, nome super criativo dado por mim mesma, a Isabela. Por aqui, pretendo conversar sobre causos da vida e investimentos, trazendo uma leveza que (gosto de pensar) é uma alusão aos meus ídolos da literatura fictícia. Se gostou, pegue um café, um pão de queijo e continue a leitura. Para começar, sugiro esses aqui:

– Tempo é dinheiro, mas conhecimento é muito mais
– Quanto colocar de renda variável na carteira?

E se preferir um conteúdo mais “direto ao ponto”, te convido a ler a “coluna do Lucas” (não, não foi ele quem a batizou), e muitos outros textos que você encontra aqui no blog da Ciano.

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Isabela faz parte do time que fundou a Ciano. Arquiteta por formação e profissão e uma entusiasta das diferentes forma de comunicação, verbais e não verbais, que existem. Talvez por isso mesmo esteja também envolvida no ramo da educação. Poupadora desde os 16 anos de idade, começou a investir na Bolsa de Valores no início de 2017. Desde então vem estudando esse mercado que, para ela, abriu as portas de todo um mundo de gestão empresarial e empreendedorismo (e que mudou sua vida)

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