Por que o investidor DEVE estar atento ao coronavírus – Parte 2

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Homem segurando dinheiro.
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Antes de tudo, é importante dizer que é muito difícil prever os desdobramentos dos impactos econômicos causados pela dispersão do novo coronavírus mundialmente.

Dessa forma, é necessário deixar claro que esse artigo é sobre as possibilidades de que seus investimentos sejam afetados pela “crise do coronavírus”.

Entretanto, por mais que seja incerto o impacto da “crise do coronavírus” na economia, não deixa de ser importante que você como investidor esteja atento aos acontecimentos. E, claro, começar a pensar em quais deverão ser suas ações, ainda que essa ação seja “não fazer nada”.

A economia brasileira

O Brasil tem uma economia de mercado aberto e é consolidado como um país exportador. Não somente, é um significativo importador de matéria prima e materiais de base para o fomento da indústria nacional.

Dessa forma, visto que a China é o maior parceiro comercial brasileiro, tanto nas importações brasileiras quanto na exportação de commodities fundamentais para a Balança Comercial Brasileira, como minério de ferro, soja e carne, é essencial pensar nos impactos que um desaquecimento na economia chinesa possam causar na nossa economia.

Segundo Otávio Canuto, economista brasileiro, analisando apenas as relações comerciais, se estima que uma queda de 1 ponto percentual no crescimento chinês tende a gerar uma redução de entre 0.2 e 0.3 pontos percentuais no crescimento brasileiro.

Em geral, esse tipo de impacto ocorre com uma certa defasagem, mas no caso, como se trata de uma parada súbita na economia chinesa, esse impacto na economia brasileira talvez seja mais rápido que o normal.

E como prospectar o crescimento chinês?

Segundo Canuto, tudo dependerá da retomada e da normalização de condições de produção, transporte e embarques de produtos chineses e reativação do fluxo comercial.

Dessa forma, um cenário otimista seria a recuperação chinesa em Março. Com isso, após um súbito declínio, pode ser que vejamos um cenário positivo no começo do segundo semestre do ano.

Já em um cenário pessimista, em que a recuperação iniciasse apenas em Abril, com uma fase maior de declínio… Estima-se que um cenário positivo seria retomado apenas no fim do segundo semestre. Sendo assim, o crescimento do PIB chinês para o ano seria reduzido.

Visto que o Brasil tem na China o seu principal aliado comercial, foi dito por Canuto que os impactos na economia brasileira possam ser uma redução de 0.6 pontos percentuais no crescimento da primeira metade do ano, parcialmente recuperados na segunda metade do ano.

Por fim, essas estimativas são de que ao final do ano o crescimento do PIB brasileiro não deva passar dos 2%.

As exportações Brasileiras para a China

A China se tornou o principal destino das exportações brasileiras. Segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 27,8% dos produtos exportados pelo Brasil vão para a China.

Na gravura a baixo, é possível ver o crescimento da participação chinesa nas exportações brasileiras:

Fonte: BBC Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51452527

Segundo a Agência Brasil, no acumulado até outubro de 2019, o saldo da balança comercial brasileira no ano (2019) somou US$ 34,9 bilhões.

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Com a China, o saldo foi de US$ 21,4 bilhões. Com isso, a balança comercial com as exportações para a China corresponderam a 60% do total da balança comercial brasileira.

Em comparação, o grupo conjunto entre os demais países da América do Sul teve saldo de US$ 6,4 bilhões, os países que compõem União Europeia de US$ 2 bilhões.

Deste modo, a redução na economia chinesa eventualmente causará impactos negativos na balança comercial brasileira.

Não somente, além de importante comprador de commodities brasileiras, o gigante asiático também tem papel relevante como fornecedor para a indústria nacional.

A dispersão do Covid-19

Por mais que o governo chinês tenha demonstrado notórios esforços para conter o vírus e segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, o surto está sendo estabilizado no território o chinês, ainda é preciso manter cautela.

Isso, pois, o novo conoravírus tem se espalhado por mais países no continente asiático e atingindo o continente europeu e o Oriente Médio.

Sendo assim, maior parcela da economia mundial pode vir a ser prejudicada pela paralisação das atividades produtivas dos países afetados pelo novo cornavírus.

Desabastecimento na indústria nacional?

É preciso pensar que, se as atividades produtivas dos países afetados pausarem, assim como na China, o setor importador brasileiro talvez seja afetado e toda a produção nacional dependente de recursos externos poderá ser prejudicada.

E caso o coronavírus espalhe no Brasil?

Como o caso confirmado no Brasil ainda é muito recente, e outros ainda esperam por confirmação, não se sabe quais serão as medidas oficiais tomadas por aqui para conter a disseminação da doença.

Pode ser que utilizemos como exemplo a reação chinesa ao coronavírus. Nesse caso, as atividades que possuem aglomeração de pessoas poderiam ser paralisadas. A atividade produtiva brasileira se paralise, então, poderia sofrer caso o novo corona vírus se espalhe pelo país.

Além disso, as pessoas provavelmente evitariam lugares com grandes acúmulos por receio de contaminação: shoppings, parques, entre outros.

Como o coronavirus pode afetar meus investimentos?

De fato, o investidor precisa então fazer uma avaliação completa do seu investimento. É necessário olhar de cima para baixo naquilo que você está investindo e entender como a empresa se relaciona no panorama global e nacional. Não podem ficar de fora uma análise sobre a economia chinesa, a economia brasileira, as empresas, os seus papéis, enfim, tudo!

É preciso entender o que são os seus investimentos, o que é a crise e no que ela afeta e qual o seu alcance no tempo. Em outras palavras: suas ações, suas empresas, tem capacidade para aguentar um período de crise e cenário ruim do ponto de vista de abastecimento, produção e consumo? Por quanto tempo você acha que elas aguentariam um cenário ruim?

Ou seja: procure entender se os seus investimentos estão sendo diretamente afetados pela crise ou não. Além disso, perceba que falamos aqui em um horizonte de 1 ano. Se seus investimentos estão com objetivos de tempo de mais longo prazo, avalie a capacidade de recuperação das empresas neste outro horizonte. Algumas com certeza passarão por essa crise, assim como já sobreviveram em outras no passado. Esse entendimento é importante para tomar decisões quanto aos seus investimentos: vender, comprar ou simplesmente esperar a turbulência.

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